quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Quando começar o HS?

Tudo se torna morbidamente mais fácil quando alguém nos diz o que fazer, como fazer e quando fazer. Em termos educacionais, a lei que estabelece a idade obrigatória para o início da frequência à escola faz isso, de modo que poucos questionam a real necessidade de uma criança de quatro anos ficar um turno inteiro (ou até dois) longe da família, cercada de estranhos, "estudando". Sem mencionar todos os pormenores de carga horária, materiais, metodologias "burrocraticamente" fixados, definidos por alguma entidade etérea qualquer.

Nesse contexto, se, por um lado, as políticas educacionais do governo nos oferecem um controle minucioso e uma padronização dos ritmos da vida de nossas crianças, exigindo de nós apenas a adesão automática, por outro, o homeschooling pode parecer um salto em queda-livre e sem paraquedas, dada a grande liberdade que possibilita, não somente com respeito à idade de início dos estudos, mas também com relação aos métodos, materiais, horários etc.

Mas afinal, existe uma idade certa para se começar o homeschooling? Não, rigorosamente falando, não existe. "Oh! Mas como assim?!" Veja, quando eu era criança, a idade indicada em lei era 7 anos. Alguns anos atrás, recuou-se um ano, estabelecendo em 6 a idade correta. Isso tudo não soa um tanto aleatório? Além disso, se considerarmos a vida familiar corriqueira, quando é que um pai passa a ensinar ao filho: Quando senta ao seu lado para explicar-lhe adição ou quando, muito tempo antes, conversa com ele já nos primeiros dias de vida?

Como no homeschool a instrução ocorre no seio do lar, é a familiaridade quem modula os ritmos, independentemente do método adotado. Conheço um menino que aprendeu os números sozinho e aos 2 anos já fazia somas elementares. Conheço um outro menino que só deslanchou na leitura a partir dos 8 anos de idade. A mãe do primeiro deveria ter desviado a atenção que o filho focava sobre os números para algo mais adequado à sua idade? A mãe do segundo deveria ter desistido de estimular o filho e tê-lo entregue às "autoridades" educacionais, isto é, à escola? Não e não. Por certo a mãe do primeiro menino não estruturava aulas como a do segundo, mas isso não significa que não oferecesse a ele o suporte necessário para desenvolver sua aptidão natural, assim como a segunda certamente usufruiu da liberdade que possuía para investir mais tempo na superação das dificuldades do filho.

Acredito que no homeschool os elementos mais importantes são o estar atento às inclinações e interesses da criança, ao seu ritmo, e também o proporcionar a ela os recursos necessários ao seu dessenvolvimento. Assim, pode acontecer de uma família elaborar aulas propriamente ditas desde os 3, 4 anos de idade da criança, assim como pode acontecer de uma outra família começar a fazê-lo somente por volta dos 7 anos (o que não quer dizer que a criança que começa a "ter aulas" com tal idade não tenha aprendido muitas coisas antes disso, ainda que de uma maneira menos "oficial", mais informal). Além disso, em famílias com mais de um filho, quando os mais novos vêem os mais velhos estudando, também querem estudar, o que termina por levá-los à rotina de estudos muito mais cedo e espontaneamente.

Por fim, é importante dizer também que, com o passar do tempo, é normal que a rotina das famílias homeschoolers se estruture de maneira mais organizada e fixa, mas isso é o resultado de um arranjo que combina liberdade e circunstância: a liberdade de poder decidir e as demandas da circunstância real em que se vive. No homeschooling não é o governo quem diz o que, como e quando estudar, mas é a família, aqueles que melhor conhecem e que efetivamente zelam pelo desenvolvimento das crianças, quem decide.

PS: Lembrando aos "liberdadefóbicos" que só pratica HS quem realmente está disposto em investir no crescimento dos próprios filhos, uma vez que enviá-los à escola, como disse, é morbidamente mais fácil.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Visita-professora de ciências

Se quando morávamos em Porto Alegre vivíamos fechados em um apartamento e sozinhos a maior parte do tempo, agora, no interior, estamos constantemente recebendo visitas. Até recentemente, no entanto, e por simples descuido meu, não havia percebido a grande oportunidade que é para o aprendizado das crianças que recebamos em nossa casa pessoas com as mais variadas experiências de vida e de formação. Assim, em lugar de interrompermos abruptamente nossos estudos, abrimos parênteses especiais em nossa rotina para aprendermos algo novo.

Foi deste modo que, dias atrás, ao saber do desejo de uma amiga de vir estar conosco, resolvi pedir-lhe que reservasse um pouquinho do seu tempo entre nós para ministrar uma pequena aula às crianças. Tarsila está na reta final do curso de medicina e, para felicidade nossa, tem prazer em transmitir o que sabe. Por outro lado, como a disciplina de ciências não é uma prioridade (até o momento) para nós, os conhecimentos dela viriam a suprir uma lacuna em nossos estudos -- embora tenhamos vários livros de ciências à disposição das crianças, não estudamos efetivamente o assunto.

Com o auxílio da Enciclopédia Barsa, que tem páginas excelentes sobre o corpo humano, as crianças tiveram uma pequena introdução à anatomia e à fisiologia. Além do caminhão de perguntas totalmente aleatórias que despejaram (e para as quais obtiveram todas as respostas), Chloe e Bibi aprenderam sobre o sistema circulatório, sobre o sistema respiratório, sobre o sistema digestivo e mais algumas outras coisas que devo ter esquecido.

Apesar da brevidade e do constante pipocar de perguntas incontroláveis, o tempo de aula foi excelente para todos nós. Muito obrigada, tia Tarsila!


Se sua família é homeschooler, incentivo você a fazer o mesmo. Aproveite cada visita para incrementar ainda mais os conhecimentos das crianças. ;)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Biscoitos de manteiga e o sentido prático da vida

Já nem me recordo mais o lugar onde li ou assisti o Prof. Olavo relatando um importante momento de sua juventude. Estava ele na casa de um amigo quando o pai deste começou a relatar o processo de fabricação de cada uma das coisas que tinham então diante de si: a mesa, a xícara, o queijo, e assim por diante. Naquela ocasião o professor percebeu o quão pouco sabia sobre a origem dessas coisas básicas da vida, que fazem parte do dia a dia de todos nós, e o quanto, por causa disso, a sua percepção e compreensão da realidade estavam mutiladas.

Desde que li (ou ouvi) esse relato, pude constatar repetidas vezes semelhante falha em minha própria formação, mas, por outro lado, pude também decidir fazer diferente com meus filhos. No entanto, o tempo foi passando, as visitas que tentamos combinar não vingaram e acabamos, mais uma vez, nos acomodando na ignorância.

Recentemente, entretanto, o seguinte post do prof. trouxe à tona mais uma vez o assunto e o desejo de fazer diferente:

"Sugestão para desenvolver o sentido prático nas novas gerações: mostre a seu filho todos os ofícios, todas as técnicas que puder. Leve-o para ver o que faz um carpinteiro, um relojoeiro, um torneiro mecânico, um criador de gado, um plantador de alface, um domador de cavalos, um sapateiro, etc. etc."
Entramos, então, em contato com os proprietários de uma fábrica de biscoitos e recebemos autorização para visitá-los. Foram duas horas excepcionais! Graças à incrível paciência e carinho do casal Míriam e David, Chloe e Benjamin aprenderam o passo a passo da produção de um tradicional biscoito amanteigado alemão (uma receita de família!). Pensem num biscoito delicado, suave e saboroso: é este.

Confiram as fotos do passeio:

Quando vocês encontrarem biscoitos dessa marca, comprem, pois valem a pena!
Chegada. Hora de colocar a touca.
Pesagem dos ingredientes.
Conhecendo a misturadora de farinha e manteiga.
Quantas formas!
O momento mais esperado: esticar a massa!
Chef Bibi às suas ordens!
Primeira obra. :)
Rigoroso controle de qualidade. XD
Fechamento das embalagens.
David e Míriam, muito obrigada!
Nathaniel não só aprovou o produto como o coloriu com tinta comestível.
E não foi só ele. :)
Melhor do que somente comer um biscoito amanteigado é poder também aprender a fazê-lo!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Inglês e O último dos moicanos


Não há como negar que a prática do homeschooling no Brasil é um caminho repleto de tentativas e erros. No nosso caso não é diferente. Já experimentamos vários métodos e tenho certeza que ainda experimentaremos outros mais, conforme os outros filhos forem crescendo e evidenciando as suas particularidades no processo de aprendizagem. Quando, porém, "acertamos a mão", então a coisa finalmente deslancha.

Recentemente acertamos a mão com o inglês. Quem nos acompanha desde o início sabe que já utilizei diferentes recursos com a Chloe -- para não mencionar o que ela aprendeu no Colégio Israelita durante a educação infantil. Sempre procurei deixá-la mais ou menos intensamente em contato com o idioma de Shakespeare, seja por meio de livrinhos como o "First Words", de sites como o Duolingo ou de metodologias mais completas como o "English by the natural method". Todos eles contribuíram em alguma medida, pois aos poucos o vocabulário foi sendo assimilado e consolidado. Agora, porém, fomos além -- e de um modo curiosamente não intencional.

Meses atrás o professor Olavo de Carvalho citou o livro "O caçador" como um de seus favoritos. Fomos em busca e, ao que tudo indica, compramos o livro errado, diferente daquele recomendado: o que adquirimos foi escrito por James Fenimore Cooper. Apesar do engano, fomos adiante, e o livro revelou-se uma agradável surpresa. Na edição que adquirimos, além d'O caçador, havia ainda a sua continuação: O patrulheiro. Um sucesso em dose dupla. Um erro que se tornou um grande acerto.



Passado algum tempo, fizemos uma nova compra de livros e, entre eles, um dos exemplares veio no idioma errado: "O último dos moicanos" em inglês. O que nós não sabíamos, porém, é que "O último dos moicanos" também é de autoria de James Fenimore Cooper e -- melhor de tudo -- é a continuação de "O patrulheiro"! Para encerrar com chave de ouro mais esse erro excepcionalmente oportuno, a edição que recebemos faz parte de uma coleção adaptada pela Penguin para a prática do inglês por meio da... tradução! -- conversação não é a nossa prioridade, mas leitura e escrita, sim. E tradução no nível em que acredito que Chloe realmente se encontra: o Elementary, com 600 palavras. Mais providencial e sob medida impossível.



Enfim, voluntariamente, todas as manhãs -- inclusive aos domingos -- ela reúne caderno, dicionário, livro, lápis, borracha e se debruça sobre mais um empolgante parágrafo de "O último dos moicanos", permanecendo ali até conseguir concluí-lo. Atualmente ela já está no final do segundo capítulo e está gostando muito, muito, tanto da história quando do método. :)


sábado, 6 de agosto de 2016

Nosso novo curso!



Qual é o objetivo do curso?

Por que hoje parece ser tão mais difícil saber como educar do que antigamente? Qual é o papel do pai (e da mãe)? O que devemos esperar de cada faixa etária? Como podemos transmitir a fé aos nossos filhos? O objetivo deste curso é auxiliar os interessados na reflexão sobre a educação de filhos e numa vivência familiar mais feliz e equilibrada.

Qual é o conteúdo do curso?

O curso é composto de 9 aulas que abordarão os seguintes temas:
  1. Introdução - Um diagnóstico dos nossos dias;
  2. Temperamentos - Os 4 temperamentos e como o seu discernimento pode ajudar na educação dos filhos;
  3. O papel dos pais - A função dos pais na vida dos filhos, seus direitos e deveres, incluindo as diferenças entre pai e mãe no contexto familiar;
  4. Educação de meninos - A formação específica dos meninos, suas fases de crescimento, com ênfase na masculinidade cristã;
  5. Educação de meninas - A formação específica das meninas, suas fases de crescimento, com ênfase na feminilidade cristã;
  6. Escola ou homeschooling? - As duas opções de instrução, suas diferenças e cuidados;
  7. Disciplina - A criação e manutenção da ordem, considerando as principais visões sobre a correção dos filhos;
  8. A fé cristã e a educação dos filhos - A religião cristã como fundamento da vida dos filhos; 
  9. Aula extra - Esclarecimentos e respostas aos questionamentos dos alunos.

A quem o curso se destina? 

A todos os pais interessados em transformar suas casas em verdadeiros lares para seus filhos e que estejam desejosos de melhor cumprir suas obrigações.

Qual é o formato do curso e o que ele oferece? 

  • Nove aulas em vídeo (online e download);
  • Material de apoio em .pdf com todas as referências citadas ao longo do curso;
  • Espaço para troca de emails e respostas a dúvidas.

Quando começarão as aulas?

01 de setembro de 2016.

Como posso me inscrever? 

Basta clicar aqui. Ao final da página linkada estão os dois botões de compra.

Qual é o valor do curso? 
Valor: R$ 180,00 (cento e oitenta reais).
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