sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Outubro imperdível




Materiais gratuitos 
Quem tem ouvido falar sobre A casa de Penélope poderá conhecer melhor e gratuitamente o trabalho que temos desenvolvido no clube. Basta cadastrar o email para receber durante quatro dias, de 24 a 27 de outubro, um conteúdo exclusivo a respeito de um dos livros que lemos até o momento n'A casa: poderá ser um guia de leitura, uma newsletter, um hangout... Assim, se houver ainda alguma dúvida sobre se vale ou não a pena participar, certamente será sanada. ;)

Cursos com descontos
Como temos recebido muitos pedidos de ajuda, por emails e por mensagens, a respeito do homeschool, resolvemos antecipar nossa promoção de final de ano para o dia 12 deste mês, e oferecer os cursos "Homeschooling 1.0" e "De volta ao lar" com 50% de desconto. Será uma promoção relâmpago que durará apenas um dia, então fiquem atentos!

Novas assinaturas com bônus
Aqueles que quiserem garantir a participação desde o início de 2018 no ainda inédito Clubinho Literário, ao realizar sua inscrição receberão nosso curso "Ensine seus filhos a gostar de ler" gratuitamente. Já aquelas que se inscreverem n'A casa de Penélope receberão, sem custo algum, todo o material digital referente ao livro Madame Bovary, que foi a quarta leitura do Ano da esposa.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nota sobre metodologias em HS

Todos os dias recebo e-mails e mensagens de pessoas que recém descobriram o homeschool, apaixonam-se pela proposta e desejam colocar as mãos na massa assim que terminarem de ler minha resposta. São pessoas que já perceberam que o cerco se fecha cada vez mais rapidamente contra as escolas - pois aquelas que não assumem a agenda revolucionária explicitamente, acabam se tornando alvos de seus agentes -, pessoas que são movidas das melhores intenções e, no entanto, precipitam-se. 

Infelizmente é possível agir pelos motivos certos mas empregando os meios errados. Para citar apenas um exemplo, menciono o que o ocorreu a uma mãe recentemente: tirou sua filhinha da escola sem maiores explicações e, em poucos dias, foi denunciada ao Conselho Tutelar. Tomada de medo e confusão, pedia ajuda num dos muitos grupos sobre o assunto. Se ela tivesse, antes de retirar a criança da escola, pesquisado a fundo, por uma semana que fosse, a respeito das possíveis consequências de sua atitude, teria abreviado em muito seus tormentos.

Mas o assunto aqui é outro, então volto a ele. Os pais e mães recém chegados ao homeschool acreditam muitas vezes que já há uma ampla rede de apoio à prática em nosso país, onde encontrarão associações, sites, e, sobretudo, metodologias e materiais didáticos específicos prontos a serem usados. A maioria se surpreende quando descobre que a nossa realidade é ainda bastante rudimentar: uma única associação, uma infinidade de blogs de famílias, metodologias híbridas e materiais didáticos improvisados - exceto àqueles que têm condições de importar seus livros do exterior. Todavia, meu propósito não é desestimular aqueles que acabam de se aproximar, mas, além de oferecer-lhes um panorama realista da situação, suscitar-lhes uma reflexão necessária.

Antes de decidir-se por uma das muitas metodologias disponíveis à prática da educação domiciliar -- para citar algumas, meciono a escolarizada, a clássica, a temática e o unschooling, por exemplo -- é preciso que uma coisa fique muito clara: cada pai e cada mãe homeschooler deverá adotar uma postura ativa no processo de ensino dos filhos. Em outras palavras, você pode ter o melhor material didático, o mais completo, o de mais fácil aplicação, e, no entanto, por mais incrível que pareça, isso não garantirá o bom rendimento do seu filho, pois não é somente o conteúdo abordado, mas principalmente o modo como você o abordará que fará toda a diferença. E só um pai e uma mãe atentos e pacientes saberão utilizar as ferramentas disponibilizadas pelo método adotado de uma maneira verdadeiramente proveitosa.

Metodologias são ferramentas, são estratégias, caminhos encetados na busca pela obtenção de determinado fim. Ou seja, entregar à criança as ferramentas certas, mas sem ensiná-la a usar é quase tão contraproducente quanto ofertar-lhe as ferramentas erradas. Metodologias não substituem pessoas. E, no homeschool, os pais são essenciais, principalmente quando as crianças ainda são pequenas ou não sabem estudar por conta própria.


Assim, queridos pais, não se iludam achando que existe um atalho neste caminho de método de ensino e materiais didáticos para homeschool. Melhor dizendo, o único atalho que existe é aquele em que você se oferece como mediador atento e bem disposto, capaz de observar os talentos e fortalecê-los, bem como ajudar na superação das dificuldades, usando de toda a sabedoria disponível em si para fazer cada filho florescer, empreendendo todas as mudanças, adaptações, repetições e inovações necessárias para isso. A outra opção é deixá-lo seguir pelo caminho mais longo e mais solitário.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A importância das boas músicas

Tem se tornado cada vez mais difícil passar por aqui e compartilhar coisas que acho que são úteis ou importantes para as famílias homeschoolers. São muitos os projetos nos quais estamos envolvidos, e há ainda novas coisas surgindo, por isso, pela necessidade de priorizar, o blog, que foi o começo de tudo, acaba ficando para trás. Ainda assim, porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas bonitas que temos usado e feito por aqui.

Eu e Gustavo, na vida adulta, nunca fomos apreciadores de músicas populares. Sempre que colocamos alguma música, ou é clássica, ou é sacra. Raras vezes Gustavo varia um pouco o repertório acrescentando alguma música regional gaúcha ao menu. Por isso, desde sempre, nossos filhos foram acostumados com boas músicas, ainda que não saibam os nomes dos compositores/autores e das músicas, pois fazemos tudo de maneira muito tranquila e informal.

Assim, vindo a complementar um pouco mais esse hábito, recebemos de uma amiga a indicação de um excelente livro que agora passo adiante para vocês. O llivro é A música erudita, de Ibrahim Abrahão Chaim. 


Obviamente a obra não é completíssima, pois, como em toda seleção, alguns autores ficam de fora, mas vejam vocês como os temas abordados realmente suprem muitas carências, pois fazem conhecidas coisas que, para quem é leigo, podem soar bastante difíceis de entender. Chloe têm adorado e já leu boa parte dele.

Além do livro, recomendo ainda um cd disponível no archive.org chamado A Child's Introduction to the Orchestra onde há uma música para apresentação de cada um dos instrumentos. É perfeito para quem não conhece ou não consegue distinguir os sons deles, mas, sobretudo, é divertido para as crianças menores.

Para quem ainda não entende a importância de ensinar esse tipo de coisa às crianças, ou melhor, para quem não entende a importância de expô-las a boas músicas e protegê-las dos lixos sonoros que nos cercam, deixo aqui um trechinho de uma aula do prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto na qual ele explica melhor a questão.

Por último, deixo ainda uma sugestão que alia boa música a desenhos antigos: escreva Silly Simphony Compilation no youtube, escolha um álbum e divirtam-se. Ainda não assistimos todos aqui em casa, mas dos que vimos, gostamos. São fábulas clássicas musicadas, ou então histórias bobinhas com músicas incríveis. O único que não deixo as crianças assistirem é o The Skeleton Dance. Então, pais, antes de colocarem as crianças a assistir, assistam primeiro, por favor, e vejam o que é e o que não é adequado a elas, ok?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Abertura à vida: plena confiança em Deus

Não é novidade que eu e meu marido temos quatro filhos. Mas talvez seja novidade para quem nos acompanha há pouco tempo que somos abertos à vida, isto é, que não fazemos nenhum planejamento familiar, não adotamos controle algum de natalidade, nem artificial, nem natural. Em outras palavras, não, a fábrica não fechou, para horror dos parentes, amigos, inimigos, médicos e ativistas por um mundo melhor - todos aqueles que, graças a Deus, não pagam nossas contas.

E por falar em contas, ao contrário do que se possa pensar, nossa decisão não tem absolutamente nada a ver com questões financeiras. Não, nós não somos ricos - e não somos mesmo, diferentemente daqueles que dizem isso para posar de modestos e são hipócritas, pois têm todas as garantias possíveis para viver uma vida tranquila. "Mas minha nossa, que irresponsabilidade!", muitos de vocês devem estar pensando, e, bem, este é um modo de ver as coisas, mas não o nosso.

Nós somos cristãos e acreditamos que toda a vida é fruto da vontade de Deus. Sim, bem assim mesmo, bem "medieval" mesmo - como adoram xingar os modernosos, e como se isso fosse de fato um xingamento. Não achamos que a vida é um mero fato biológico, fruto da combinação de óvulo e espermatozóide pura e simplesmente. Admitir algo assim seria assumir uma visão mecanicista da criação, onde Deus teria apertado um botão de "start" lá no início dos tempos e depois largado tudo, deixando por nossa conta e risco todo o resto. Não pensamos assim.

Sabemos que Deus vive e age hoje, agora, neste instante e em todos os demais, em todos os lugares; acreditamos que se Ele não disser "faça-se a luz!", vida alguma surge e se mantém, por mais jovem, saudável e fértil que se possa ser - quem não conhece pessoas que, mesmo sem problema orgânico algum, não conseguem engravidar? E quem não conhece ao menos um caso de vida que surgiu de quem menos se achava possível? - Sei que isso soa estranho - às vezes apavorante -, até mesmo entre cristãos, mas ou Deus governa nossas vidas por completo, incluindo nossos bolsos e corpos, ou lançamos mão de qualquer desculpa para nos considerarmos muito maduros e responsáveis, fugindo da plena entrega e confiança para a qual Ele não cessa de nos chamar.

Aos que repetem o chavão "botar filho no mundo é fácil; quero ver criá-los", afirmo: de fato, seríamos os mais levianos e sem-vergonhas se, invocando a Deus sobre a geração de nossos filhos, não O invocássemos também para que nos desse todo amor, sabedoria e condições para bem criá-los. Abrir-se a receber todos os filhos que Ele nos enviar não é uma disposição satisfeita quando abrimos mão do anticoncepcional, da camisinha ou do MOB, deitamos, amamos e levantamos da cama: ali é só o começo de tudo, o início de uma jornada de santificação que deve conduzir à eternidade. Assim, acreditamos que a abertura à vida só é real quando nos dispomos a confiar o tanto que Ele espera que confiemos; só é real quando nos dispomos a servir o tanto que Ele deseja que sirvamos; só é real quando nos dispomos a morrer para nós mesmos o tanto que Ele deseja que nós morramos; e tais medidas só quem as sabe é Ele, não nós. 

 
Será que realmente acreditamos em Jesus quando disse que nem sequer um mísero fio de cabelo cai da nossa cabeça sem que Deus o saiba e permita? Se Ele é capaz de conhecer e zelar por coisa tão indiferente como um fio de cabelo, não o seria ainda muito mais pelas vidas que sopra nos ventres maternos e pelas nossas próprias vidas? Senhor, aumenta nossa fé!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Há 150 anos nascia a "Espalha brasas"



Neste ano comemora-se os 150 anos de nascimento de Laura Ingalls Wilder - que era carinhosamente chamada por seu pai de "Meia canequinha de sidra doce meio bebida", "Canarinho" ou "Espalha brasas" -, uma das nossas escritoras favoritas e mais constantemente lidas aqui em casa - juntamente com a Condessa de Ségur e Monteiro Lobato. 

Conhecida principalmente graças à série de TV inspirada em seus livros - "Os pioneiros" -, os nove pequenos volumes que narram desde a sua infância, passando pela adolescência, chegando até aos quatro primeiros anos de casada, relatam a maravilhosa e empolgante vida perfeitamente... normal. Sim, eu sei que soa esquisito colocar as coisas desse modo, mas, de fato, o mais incrível nas obras de Wilder é sua a capacidade de nos reconectar com a realidade e com um tempo - não tão distante do nosso - em que a cultura popular era fruto de herança e promotora da saúde dos povos - e não de engenharia social para a nossa destruição.

Nas obras de Laura, somos levados de volta à época da expansão dos Estados Unidos a oeste, já então não mais uma colônia inglesa, mas uma república independente. Em tais livros, mudam-se os locais, pois a família emigra diversas vezes; mudam-se algumas personagens, pois eles afastam-se de parentes e conquistam novos amigos; mudam-se os desafios, por vezes lutando contra nevascas, contra doenças, contra índios e contra furacões; mas há coisas que jamais mudam: a simplicidade da vida, a união familiar, o trabalho duro e o sacrifício constante uns pelos outros.

Assim, é neste sentido que digo que as obras de Wilder nos reconectam à realidade, porque nos permitem vislumbrar uma vida erguida e mantida graças aos esforços dos próprios braços: uma vida muito prática, sem desculpas, sem omissões, sem desistências, sem ressentimentos e sem as facilidades tecnológicas que tanto nos afastam do contato direto com nosso entorno - nos alienando - quanto nos fazem perder a força e o vigor físico e moral.

Costumo dizer que a boa literatura é curativa, pois nos liberta de uma porção de doenças espirituais. E este é precisamente o caso dos livros de Laura Ingalls Wilder, os quais, embora sejam infanto-juvenis, podem ser lidos com grande proveito também por nós, adultos. Ao nos descortinar uma época em que o estilo de vida das pessoas era muito mais simples, modesto e trabalhoso, Laura, provavelmente sem o querer, nos mostra como a "praticidade" moderna termina por nos apalermar e como dela precisamos bem menos do que imaginamos. 

Enfim, deixo aqui minhas palavras de incentivo a você que ainda não conhece esses livros (e o link para o primeiro deles), bem como minha gratidão ao testemunho de vida de Laura.