quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Biscoitos de manteiga e o sentido prático da vida

Já nem me recordo mais o lugar onde li ou assisti o Prof. Olavo relatando um importante momento de sua juventude. Estava ele na casa de um amigo quando o pai deste começou a relatar o processo de fabricação de cada uma das coisas que tinham então diante de si: a mesa, a xícara, o queijo, e assim por diante. Naquela ocasião o professor percebeu o quão pouco sabia sobre a origem dessas coisas básicas da vida, que fazem parte do dia a dia de todos nós, e o quanto, por causa disso, a sua percepção e compreensão da realidade estavam mutiladas.

Desde que li (ou ouvi) esse relato, pude constatar repetidas vezes semelhante falha em minha própria formação, mas, por outro lado, pude também decidir fazer diferente com meus filhos. No entanto, o tempo foi passando, as visitas que tentamos combinar não vingaram e acabamos, mais uma vez, nos acomodando na ignorância.

Recentemente, entretanto, o seguinte post do prof. trouxe à tona mais uma vez o assunto e o desejo de fazer diferente:

"Sugestão para desenvolver o sentido prático nas novas gerações: mostre a seu filho todos os ofícios, todas as técnicas que puder. Leve-o para ver o que faz um carpinteiro, um relojoeiro, um torneiro mecânico, um criador de gado, um plantador de alface, um domador de cavalos, um sapateiro, etc. etc."
Entramos, então, em contato com os proprietários de uma fábrica de biscoitos e recebemos autorização para visitá-los. Foram duas horas excepcionais! Graças à incrível paciência e carinho do casal Míriam e David, Chloe e Benjamin aprenderam o passo a passo da produção de um tradicional biscoito amanteigado alemão (uma receita de família!). Pensem num biscoito delicado, suave e saboroso: é este.

Confiram as fotos do passeio:

Quando vocês encontrarem biscoitos dessa marca, comprem, pois valem a pena!
Chegada. Hora de colocar a touca.
Pesagem dos ingredientes.
Conhecendo a misturadora de farinha e manteiga.
Quantas formas!
O momento mais esperado: esticar a massa!
Chef Bibi às suas ordens!
Primeira obra. :)
Rigoroso controle de qualidade. XD
Fechamento das embalagens.
David e Míriam, muito obrigada!
Nathaniel não só aprovou o produto como o coloriu com tinta comestível.
E não foi só ele. :)
Melhor do que somente comer um biscoito amanteigado é poder também aprender a fazê-lo!

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Inglês e O último dos moicanos


Não há como negar que a prática do homeschooling no Brasil é um caminho repleto de tentativas e erros. No nosso caso não é diferente. Já experimentamos vários métodos e tenho certeza que ainda experimentaremos outros mais, conforme os outros filhos forem crescendo e evidenciando as suas particularidades no processo de aprendizagem. Quando, porém, "acertamos a mão", então a coisa finalmente deslancha.

Recentemente acertamos a mão com o inglês. Quem nos acompanha desde o início sabe que já utilizei diferentes recursos com a Chloe -- para não mencionar o que ela aprendeu no Colégio Israelita durante a educação infantil. Sempre procurei deixá-la mais ou menos intensamente em contato com o idioma de Shakespeare, seja por meio de livrinhos como o "First Words", de sites como o Duolingo ou de metodologias mais completas como o "English by the natural method". Todos eles contribuíram em alguma medida, pois aos poucos o vocabulário foi sendo assimilado e consolidado. Agora, porém, fomos além -- e de um modo curiosamente não intencional.

Meses atrás o professor Olavo de Carvalho citou o livro "O caçador" como um de seus favoritos. Fomos em busca e, ao que tudo indica, compramos o livro errado, diferente daquele recomendado: o que adquirimos foi escrito por James Fenimore Cooper. Apesar do engano, fomos adiante, e o livro revelou-se uma agradável surpresa. Na edição que adquirimos, além d'O caçador, havia ainda a sua continuação: O patrulheiro. Um sucesso em dose dupla. Um erro que se tornou um grande acerto.



Passado algum tempo, fizemos uma nova compra de livros e, entre eles, um dos exemplares veio no idioma errado: "O último dos moicanos" em inglês. O que nós não sabíamos, porém, é que "O último dos moicanos" também é de autoria de James Fenimore Cooper e -- melhor de tudo -- é a continuação de "O patrulheiro"! Para encerrar com chave de ouro mais esse erro excepcionalmente oportuno, a edição que recebemos faz parte de uma coleção adaptada pela Penguin para a prática do inglês por meio da... tradução! -- conversação não é a nossa prioridade, mas leitura e escrita, sim. E tradução no nível em que acredito que Chloe realmente se encontra: o Elementary, com 600 palavras. Mais providencial e sob medida impossível.



Enfim, voluntariamente, todas as manhãs -- inclusive aos domingos -- ela reúne caderno, dicionário, livro, lápis, borracha e se debruça sobre mais um empolgante parágrafo de "O último dos moicanos", permanecendo ali até conseguir concluí-lo. Atualmente ela já está no final do segundo capítulo e está gostando muito, muito, tanto da história quando do método. :)


sábado, 6 de agosto de 2016

Nosso novo curso!



Qual é o objetivo do curso?

Por que hoje parece ser tão mais difícil saber como educar do que antigamente? Qual é o papel do pai (e da mãe)? O que devemos esperar de cada faixa etária? Como podemos transmitir a fé aos nossos filhos? O objetivo deste curso é auxiliar os interessados na reflexão sobre a educação de filhos e numa vivência familiar mais feliz e equilibrada.

Qual é o conteúdo do curso?

O curso é composto de 9 aulas que abordarão os seguintes temas:
  1. Introdução - Um diagnóstico dos nossos dias;
  2. Temperamentos - Os 4 temperamentos e como o seu discernimento pode ajudar na educação dos filhos;
  3. O papel dos pais - A função dos pais na vida dos filhos, seus direitos e deveres, incluindo as diferenças entre pai e mãe no contexto familiar;
  4. Educação de meninos - A formação específica dos meninos, suas fases de crescimento, com ênfase na masculinidade cristã;
  5. Educação de meninas - A formação específica das meninas, suas fases de crescimento, com ênfase na feminilidade cristã;
  6. Escola ou homeschooling? - As duas opções de instrução, suas diferenças e cuidados;
  7. Disciplina - A criação e manutenção da ordem, considerando as principais visões sobre a correção dos filhos;
  8. A fé cristã e a educação dos filhos - A religião cristã como fundamento da vida dos filhos; 
  9. Aula extra - Esclarecimentos e respostas aos questionamentos dos alunos.

A quem o curso se destina? 

A todos os pais interessados em transformar suas casas em verdadeiros lares para seus filhos e que estejam desejosos de melhor cumprir suas obrigações.

Qual é o formato do curso e o que ele oferece? 

  • Nove aulas em vídeo (online e download);
  • Material de apoio em .pdf com todas as referências citadas ao longo do curso;
  • Espaço para troca de emails e respostas a dúvidas.

Quando começarão as aulas?

01 de setembro de 2016.

Como posso me inscrever? 

Basta clicar aqui. Ao final da página linkada estão os dois botões de compra.

Qual é o valor do curso? 
Valor: R$ 180,00 (cento e oitenta reais).
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A família Radford e os nossos dias



Instantes atrás li sobre a maior família britânica: eles acabaram de receber o 19o. filho. Deixando de lado o realmente importante, que é o testemunho de vida desse casal, achei interessante as objeções de alguns nos comentários. Dentre as repetidas censuras pela pretensa irresponsabilidade do casal, uma crítica voltava-se para o fato de o bebê não poder receber toda a atenção devida do pai e da mãe por precisar dividi-los com os dezoito irmãos. Já ouvi essa objeção contra a 
família numerosa muitas vezes, e acho que está na hora de dizer algo a respeito.

Hoje em dia, quando uma família abre-se à vida e acolhe todos os filhos que Deus deseja enviar, ela o faz na plena consciência de que nem o pai, nem a mãe, nem criança alguma é o centro do universo, a pessoa mais importante do mundo. Na verdade, todo cristão deveria saber disso: que ele não é o personagem principal da história, mas apenas um coadjuvante a fazer uma pequena participação na grande peça da eternidade, na qual Jesus Cristo é o protagonista absoluto. Ou seja, numa família numerosa, ninguém é a estrela. Todos os que ali estão devem viver em espírito de amor e de serviço, ajudando uns aos outros em tudo quanto necessário.

Mas é claro que uma pequena comunidade de pessoas que vivam tal entrega e dedicação, lutando contra o egoísmo na prática do dia a dia, não pode ser compreendida em nossos dias. Na verdade, é precisamente o contrário: além de incompreendida, tais pessoas são motivo de chacota. O bacana, o legal, o "sensato" é mesmo ter um só filho e tratá-lo como um deus, entupindo a criança de todas as coisas que porventura a sua soberana vontade venha a desejar (mesmo que 5 minutos depois tudo seja abandonado por um novo objeto de desejo), nunca dizendo "não" a ela, e nem sequer sonhando com uma palmada simbólica quando cometer o maior desrespeito de que for possível. Isso sim é bom. É torná-lo senhor de tudo, mas, tão logo quanto possível, despachá-lo para a escolinha, depois para a natação, depois para o futebol, depois para os avós e, por fim, para os amigos, para que joguem videogame até que os olhos saltem da cabeça, afinal, ninguém aguenta um tirano desperto por mais de uma ou duas horas.

Não é por acaso que há gente com 20, 30, 40, 50, 60 anos completamente incapaz de olhar para o lado e se importar de verdade com alguém, pois aprenderam com os pais que eles próprios são os protagonistas do universo, que os seus sentimentos são os mais importantes, os mais intensos, os mais sofridos do mundo, que as suas vontades não merecem freio algum, ainda que esmaguem os demais. E, curioso, geralmente é o mesmo pessoal que usa a hashtag
 ‪#‎maisamorporfavor‬
PS: Já ouvi também a crítica de que antigamente os mais velhos é que acabam criando os mais novos. Ora, será que é também um mero acaso o fato de que as pessoas crescem, noivam, casam, os filhos chegam e não têm a menor idéia de o que fazer com um bebê recém nascido? Ou, se aprendem alguma coisa, é porque fizeram algum curso no hospital antes do nascimento do bebê? Gente, cuidar de criança era algo que se aprendia em casa, na família, com os irmãos mais novos sim! Por que raios isso precisa ser visto como um martírio, uma injustiça? Seria de fato uma injustiça nos casos de os pais lavarem as mãos e não fazerem nada, mas, até onde sei, quando os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos era porque os pais estavam trabalhando na lavoura, fazendo comida, lavando roupa com as próprias mãos, enfim, fazendo coisas muito mais pesadas do que trocar uma fralda ou embalar um bebê. E esse aprendizado não seria de imenso auxílio quando a pessoa, uma fez adulta, constituísse a própria família? Ah, pra quê família, né? Bom mesmo é criar gato.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Educação sexual para crianças

Como não é a primeira e provavelmente não será a última vez que me perguntam sobre educação sexual para crianças via mensagem privada, resolvi escrever publicamente o que penso a respeito, na condição de simples mãe que sou.

Alguém aí acha adequado que se ensine sobre o mundo do trabalho ou sobre o mercado financeiro para crianças? Não, né. Pois é, se trabalho e dinheiro fazem parte do universo adulto e não devem fazer parte das preocupações infantis, quanto mais as questões referentes à sexualidade!

Não é por possuírem órgãos genitais que as crianças têm condições de tratar de sexo. Aliás, é notório em seus próprios corpos que elas não têm maturidade física -- nem psíquica -- para lidar com tais assuntos, de modo que expô-las a estes conteúdos é um ultraje, um desrespeito e uma violência. Ao obrigá-las a tratar deste universo, força-se um amadurecimento fora de tempo com consequências terríveis à sua personalidade, pois as obriga a tratar de um assunto extremamente complexo e que envolve a totalidade da pessoa com as precárias ferramentas que possuem, isto é, com o mero instinto, assim como os animais.

Por outro lado, há quem afirme que o interesse parte das crianças, e a estes eu respondo: não há nada mais simples do que despertar o interesse em uma criança, seja lá sobre o que for. Quando se submete os pequenos a músicas, roupas, propagandas, programas de TV e comportamentos hipersexualizados não haverá surpresa em descobri-los interessados em tais assuntos, embora este seja um interesse maquiavelicamente forjado por adultos malignos. Em outras palavras, não acredito que as crianças tenham um interesse natural por sexo, mas elas podem, sim, ser
conduzidas a isso.

Por último, a Igreja ensina que este é um assunto a respeito do qual o ensino compete exclusivamente aos pais. Vocês têm, portanto, não somente o direito, mas o dever de livrar as crianças de quaisquer intromissões neste sentido. Protejam-nas de influências dessa natureza e vocês verão o interesse pelo assunto surgir na época certa, quando se avizinha a maturidade física e psicológica, quando se aproxima a época da responsabilidade, do trabalho e da conquista do próprio sustento. Aí o assunto poderá ser tratado como convém, ou seja, com o respeito, a decência e a inserção no contexto necessário para o desenvolvimento não somente de uma vida sexual consciente, madura e responsável, mas da própria personalidade.