sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Outubro imperdível




Materiais gratuitos 
Quem tem ouvido falar sobre A casa de Penélope poderá conhecer melhor e gratuitamente o trabalho que temos desenvolvido no clube. Basta cadastrar o email para receber durante quatro dias, de 24 a 27 de outubro, um conteúdo exclusivo a respeito de um dos livros que lemos até o momento n'A casa: poderá ser um guia de leitura, uma newsletter, um hangout... Assim, se houver ainda alguma dúvida sobre se vale ou não a pena participar, certamente será sanada. ;)

Cursos com descontos
Como temos recebido muitos pedidos de ajuda, por emails e por mensagens, a respeito do homeschool, resolvemos antecipar nossa promoção de final de ano para o dia 12 deste mês, e oferecer os cursos "Homeschooling 1.0" e "De volta ao lar" com 50% de desconto. Será uma promoção relâmpago que durará apenas um dia, então fiquem atentos!

Novas assinaturas com bônus
Aqueles que quiserem garantir a participação desde o início de 2018 no ainda inédito Clubinho Literário, ao realizar sua inscrição receberão nosso curso "Ensine seus filhos a gostar de ler" gratuitamente. Já aquelas que se inscreverem n'A casa de Penélope receberão, sem custo algum, todo o material digital referente ao livro Madame Bovary, que foi a quarta leitura do Ano da esposa.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Nota sobre metodologias em HS

Todos os dias recebo e-mails e mensagens de pessoas que recém descobriram o homeschool, apaixonam-se pela proposta e desejam colocar as mãos na massa assim que terminarem de ler minha resposta. São pessoas que já perceberam que o cerco se fecha cada vez mais rapidamente contra as escolas - pois aquelas que não assumem a agenda revolucionária explicitamente, acabam se tornando alvos de seus agentes -, pessoas que são movidas das melhores intenções e, no entanto, precipitam-se. 

Infelizmente é possível agir pelos motivos certos mas empregando os meios errados. Para citar apenas um exemplo, menciono o que o ocorreu a uma mãe recentemente: tirou sua filhinha da escola sem maiores explicações e, em poucos dias, foi denunciada ao Conselho Tutelar. Tomada de medo e confusão, pedia ajuda num dos muitos grupos sobre o assunto. Se ela tivesse, antes de retirar a criança da escola, pesquisado a fundo, por uma semana que fosse, a respeito das possíveis consequências de sua atitude, teria abreviado em muito seus tormentos.

Mas o assunto aqui é outro, então volto a ele. Os pais e mães recém chegados ao homeschool acreditam muitas vezes que já há uma ampla rede de apoio à prática em nosso país, onde encontrarão associações, sites, e, sobretudo, metodologias e materiais didáticos específicos prontos a serem usados. A maioria se surpreende quando descobre que a nossa realidade é ainda bastante rudimentar: uma única associação, uma infinidade de blogs de famílias, metodologias híbridas e materiais didáticos improvisados - exceto àqueles que têm condições de importar seus livros do exterior. Todavia, meu propósito não é desestimular aqueles que acabam de se aproximar, mas, além de oferecer-lhes um panorama realista da situação, suscitar-lhes uma reflexão necessária.

Antes de decidir-se por uma das muitas metodologias disponíveis à prática da educação domiciliar -- para citar algumas, meciono a escolarizada, a clássica, a temática e o unschooling, por exemplo -- é preciso que uma coisa fique muito clara: cada pai e cada mãe homeschooler deverá adotar uma postura ativa no processo de ensino dos filhos. Em outras palavras, você pode ter o melhor material didático, o mais completo, o de mais fácil aplicação, e, no entanto, por mais incrível que pareça, isso não garantirá o bom rendimento do seu filho, pois não é somente o conteúdo abordado, mas principalmente o modo como você o abordará que fará toda a diferença. E só um pai e uma mãe atentos e pacientes saberão utilizar as ferramentas disponibilizadas pelo método adotado de uma maneira verdadeiramente proveitosa.

Metodologias são ferramentas, são estratégias, caminhos encetados na busca pela obtenção de determinado fim. Ou seja, entregar à criança as ferramentas certas, mas sem ensiná-la a usar é quase tão contraproducente quanto ofertar-lhe as ferramentas erradas. Metodologias não substituem pessoas. E, no homeschool, os pais são essenciais, principalmente quando as crianças ainda são pequenas ou não sabem estudar por conta própria.


Assim, queridos pais, não se iludam achando que existe um atalho neste caminho de método de ensino e materiais didáticos para homeschool. Melhor dizendo, o único atalho que existe é aquele em que você se oferece como mediador atento e bem disposto, capaz de observar os talentos e fortalecê-los, bem como ajudar na superação das dificuldades, usando de toda a sabedoria disponível em si para fazer cada filho florescer, empreendendo todas as mudanças, adaptações, repetições e inovações necessárias para isso. A outra opção é deixá-lo seguir pelo caminho mais longo e mais solitário.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A importância das boas músicas

Tem se tornado cada vez mais difícil passar por aqui e compartilhar coisas que acho que são úteis ou importantes para as famílias homeschoolers. São muitos os projetos nos quais estamos envolvidos, e há ainda novas coisas surgindo, por isso, pela necessidade de priorizar, o blog, que foi o começo de tudo, acaba ficando para trás. Ainda assim, porém, quero compartilhar com vocês algumas coisas bonitas que temos usado e feito por aqui.

Eu e Gustavo, na vida adulta, nunca fomos apreciadores de músicas populares. Sempre que colocamos alguma música, ou é clássica, ou é sacra. Raras vezes Gustavo varia um pouco o repertório acrescentando alguma música regional gaúcha ao menu. Por isso, desde sempre, nossos filhos foram acostumados com boas músicas, ainda que não saibam os nomes dos compositores/autores e das músicas, pois fazemos tudo de maneira muito tranquila e informal.

Assim, vindo a complementar um pouco mais esse hábito, recebemos de uma amiga a indicação de um excelente livro que agora passo adiante para vocês. O llivro é A música erudita, de Ibrahim Abrahão Chaim. 


Obviamente a obra não é completíssima, pois, como em toda seleção, alguns autores ficam de fora, mas vejam vocês como os temas abordados realmente suprem muitas carências, pois fazem conhecidas coisas que, para quem é leigo, podem soar bastante difíceis de entender. Chloe têm adorado e já leu boa parte dele.

Além do livro, recomendo ainda um cd disponível no archive.org chamado A Child's Introduction to the Orchestra onde há uma música para apresentação de cada um dos instrumentos. É perfeito para quem não conhece ou não consegue distinguir os sons deles, mas, sobretudo, é divertido para as crianças menores.

Para quem ainda não entende a importância de ensinar esse tipo de coisa às crianças, ou melhor, para quem não entende a importância de expô-las a boas músicas e protegê-las dos lixos sonoros que nos cercam, deixo aqui um trechinho de uma aula do prof. Luiz Gonzaga de Carvalho Neto na qual ele explica melhor a questão.

Por último, deixo ainda uma sugestão que alia boa música a desenhos antigos: escreva Silly Simphony Compilation no youtube, escolha um álbum e divirtam-se. Ainda não assistimos todos aqui em casa, mas dos que vimos, gostamos. São fábulas clássicas musicadas, ou então histórias bobinhas com músicas incríveis. O único que não deixo as crianças assistirem é o The Skeleton Dance. Então, pais, antes de colocarem as crianças a assistir, assistam primeiro, por favor, e vejam o que é e o que não é adequado a elas, ok?

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Abertura à vida: plena confiança em Deus

Não é novidade que eu e meu marido temos quatro filhos. Mas talvez seja novidade para quem nos acompanha há pouco tempo que somos abertos à vida, isto é, que não fazemos nenhum planejamento familiar, não adotamos controle algum de natalidade, nem artificial, nem natural. Em outras palavras, não, a fábrica não fechou, para horror dos parentes, amigos, inimigos, médicos e ativistas por um mundo melhor - todos aqueles que, graças a Deus, não pagam nossas contas.

E por falar em contas, ao contrário do que se possa pensar, nossa decisão não tem absolutamente nada a ver com questões financeiras. Não, nós não somos ricos - e não somos mesmo, diferentemente daqueles que dizem isso para posar de modestos e são hipócritas, pois têm todas as garantias possíveis para viver uma vida tranquila. "Mas minha nossa, que irresponsabilidade!", muitos de vocês devem estar pensando, e, bem, este é um modo de ver as coisas, mas não o nosso.

Nós somos cristãos e acreditamos que toda a vida é fruto da vontade de Deus. Sim, bem assim mesmo, bem "medieval" mesmo - como adoram xingar os modernosos, e como se isso fosse de fato um xingamento. Não achamos que a vida é um mero fato biológico, fruto da combinação de óvulo e espermatozóide pura e simplesmente. Admitir algo assim seria assumir uma visão mecanicista da criação, onde Deus teria apertado um botão de "start" lá no início dos tempos e depois largado tudo, deixando por nossa conta e risco todo o resto. Não pensamos assim.

Sabemos que Deus vive e age hoje, agora, neste instante e em todos os demais, em todos os lugares; acreditamos que se Ele não disser "faça-se a luz!", vida alguma surge e se mantém, por mais jovem, saudável e fértil que se possa ser - quem não conhece pessoas que, mesmo sem problema orgânico algum, não conseguem engravidar? E quem não conhece ao menos um caso de vida que surgiu de quem menos se achava possível? - Sei que isso soa estranho - às vezes apavorante -, até mesmo entre cristãos, mas ou Deus governa nossas vidas por completo, incluindo nossos bolsos e corpos, ou lançamos mão de qualquer desculpa para nos considerarmos muito maduros e responsáveis, fugindo da plena entrega e confiança para a qual Ele não cessa de nos chamar.

Aos que repetem o chavão "botar filho no mundo é fácil; quero ver criá-los", afirmo: de fato, seríamos os mais levianos e sem-vergonhas se, invocando a Deus sobre a geração de nossos filhos, não O invocássemos também para que nos desse todo amor, sabedoria e condições para bem criá-los. Abrir-se a receber todos os filhos que Ele nos enviar não é uma disposição satisfeita quando abrimos mão do anticoncepcional, da camisinha ou do MOB, deitamos, amamos e levantamos da cama: ali é só o começo de tudo, o início de uma jornada de santificação que deve conduzir à eternidade. Assim, acreditamos que a abertura à vida só é real quando nos dispomos a confiar o tanto que Ele espera que confiemos; só é real quando nos dispomos a servir o tanto que Ele deseja que sirvamos; só é real quando nos dispomos a morrer para nós mesmos o tanto que Ele deseja que nós morramos; e tais medidas só quem as sabe é Ele, não nós. 

 
Será que realmente acreditamos em Jesus quando disse que nem sequer um mísero fio de cabelo cai da nossa cabeça sem que Deus o saiba e permita? Se Ele é capaz de conhecer e zelar por coisa tão indiferente como um fio de cabelo, não o seria ainda muito mais pelas vidas que sopra nos ventres maternos e pelas nossas próprias vidas? Senhor, aumenta nossa fé!

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Há 150 anos nascia a "Espalha brasas"



Neste ano comemora-se os 150 anos de nascimento de Laura Ingalls Wilder - que era carinhosamente chamada por seu pai de "Meia canequinha de sidra doce meio bebida", "Canarinho" ou "Espalha brasas" -, uma das nossas escritoras favoritas e mais constantemente lidas aqui em casa - juntamente com a Condessa de Ségur e Monteiro Lobato. 

Conhecida principalmente graças à série de TV inspirada em seus livros - "Os pioneiros" -, os nove pequenos volumes que narram desde a sua infância, passando pela adolescência, chegando até aos quatro primeiros anos de casada, relatam a maravilhosa e empolgante vida perfeitamente... normal. Sim, eu sei que soa esquisito colocar as coisas desse modo, mas, de fato, o mais incrível nas obras de Wilder é sua a capacidade de nos reconectar com a realidade e com um tempo - não tão distante do nosso - em que a cultura popular era fruto de herança e promotora da saúde dos povos - e não de engenharia social para a nossa destruição.

Nas obras de Laura, somos levados de volta à época da expansão dos Estados Unidos a oeste, já então não mais uma colônia inglesa, mas uma república independente. Em tais livros, mudam-se os locais, pois a família emigra diversas vezes; mudam-se algumas personagens, pois eles afastam-se de parentes e conquistam novos amigos; mudam-se os desafios, por vezes lutando contra nevascas, contra doenças, contra índios e contra furacões; mas há coisas que jamais mudam: a simplicidade da vida, a união familiar, o trabalho duro e o sacrifício constante uns pelos outros.

Assim, é neste sentido que digo que as obras de Wilder nos reconectam à realidade, porque nos permitem vislumbrar uma vida erguida e mantida graças aos esforços dos próprios braços: uma vida muito prática, sem desculpas, sem omissões, sem desistências, sem ressentimentos e sem as facilidades tecnológicas que tanto nos afastam do contato direto com nosso entorno - nos alienando - quanto nos fazem perder a força e o vigor físico e moral.

Costumo dizer que a boa literatura é curativa, pois nos liberta de uma porção de doenças espirituais. E este é precisamente o caso dos livros de Laura Ingalls Wilder, os quais, embora sejam infanto-juvenis, podem ser lidos com grande proveito também por nós, adultos. Ao nos descortinar uma época em que o estilo de vida das pessoas era muito mais simples, modesto e trabalhoso, Laura, provavelmente sem o querer, nos mostra como a "praticidade" moderna termina por nos apalermar e como dela precisamos bem menos do que imaginamos. 

Enfim, deixo aqui minhas palavras de incentivo a você que ainda não conhece esses livros (e o link para o primeiro deles), bem como minha gratidão ao testemunho de vida de Laura.

O caminho das pedras

Àqueles que acabaram de chegar aqui vindos do e-book da Gazeta do Povo, um aviso importante: este nosso humilde blog, embora conte já com mais de quatro anos de publicações, não se presta exatamente ao propósito de guia aos interessados em homeschooling. Aqui, o que vocês encontrarão é algo muito mais próximo de um diário do que qualquer outra coisa, de modo que a utilidade do espaço está em conhecer um pouco sobre a rotina de uma família homeschooler.

Contudo, para não deixar a ver navios quem se interessa de fato sobre o assunto e cogita praticar o homeschool com os próprios filhos, deixo aqui uma sugestão bem mais oportuna: o nosso curso Homeschooling 1.0. Lá encontra-se toda a base para quem realmente quer botar a mão na massa, com aulas específicas sobre questões jurídicas, pedagógicas, metodológicas, históricas, psicológicas, sugestões de materiais e muito mais. Clique no link e confira!

sexta-feira, 5 de maio de 2017

4 anos, Dante, 1,2,3

Hoje o blog completa quatro anos de atividade! Embora soe piegas, não é falso dizer que encontramos e continuamos a encontrar muita alegria neste caminho. É verdade que as postagens por aqui diminuíram, e isto fundamentalmente por conta das demais frentes de trabalho que desenvolvemos (se quiser conferir, veja aqui e aqui), mas o dia a dia do homeschool permanece firme e forte, abundante em bons frutos.

Assim, venho compartilhar com vocês, nossos fiéis leitores, a recente descoberta de dois livros que podem ajudá-los com os estudos das crianças.


Ainda que eu evite tanto quanto possível as adaptações (e nesta palestra eu explico o porquê), o primeiro deles é uma versão adaptada para crianças de Divina comédia. "Oh! Meu Deus! A Divina comédia para crianças! As pobrezinhas terão pesadelos!". Sim, eu também tive receio e até guardei o livro em um primeiro momento (não em função da Chloe, mas pensando no Benjamin), contudo, o próprio Benjamin foi atrás do livro e, folheando-o, ficou interessadíssimo. Desde então temos lido umas quatro páginas por dia, ele tem gostado muito e em momento algum teve medo ou pesadelos. Pelo contrário, o livro nos deu ocasião para falarmos sobre muitos pecados, sobre a justiça e misericórdia divinas.





Enfim, percebi que a Divina comédia, ainda que adaptada, tem sido uma boa introdução ao clássico de Dante e uma fonte de reflexões importantes e necessárias. Para quem pretende utilizar a metodologia clássica no homeschool, trata-se de uma boa ferramenta para um primeiro contato, para uma visão geral do conteúdo do livro. Sem mencionar as excelentes, maravilhosas ilustrações. Claro, cada pai e mãe precisa avaliar se tal obra convém aos seus filhos na idade em que estão ou não. Além dela, há ainda A Ilíada, A Odisséia, A Eneida e Os cavaleiros da távola redonda na mesma coleção, pela Editora Paulinas.

O segundo livro foi indicação da amiga Waleska Montenegro (seu perfil é um verdadeiro baú de excelentes sugestões de materiais e livros para crianças menores) e o temos usado com o Nathaniel, agora que ele resolveu "escrever letras". Trata-se do Aprendo a contar, que serve, basicamente, para treinar o traçado dos números infinitas vezes, pois sua superfície é plastificada e permite que apaguemos o que foi escrito. Além dele, há também o Aprendendo a ler, que trabalha o traçado das letras. Ambos são bilingues, o que auxilia àqueles que querem introduzir algum vocabulário em inglês nas atividades das crianças.


A única coisa ruim é que a caneta que acompanha o livrinho veio completamente esgotada, de modo que temos usado uma caneta molhada para fazer os exercícios (mas uma canetinha comum deve resolver o problema, imagino eu).

Espero que as sugestões tenham sido úteis. Até breve!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Lançamento e promoção

Neste último domingo, finalmente veio a público um trabalho no qual estamos há bastante tempo investindo: a expansão do Selo Homebooks da Editora Concreta. Agora, além de prosseguirmos publicando "Os fabulosos livros coloridos", de Andrew Lang, publicaremos também, num sistema de adesão por assinatura, um box mensal com uma porção de itens úteis, instrutivos e divertidos para as crianças.

Para começar, resolvemos resgatar a antiga e excelente enciclopédia infantil O tesouro da juventude. Relendo e revisando seu conteúdo, entregaremos aos assinantes um fascículo de aproximadamente 100 páginas com aqueles conteúdos que ainda hoje se mantém atuais e relevantes aos nossos pequenos. Será O melhor do Tesouro da Juventude.

Além do fascículo, concretizaremos ainda um antigo sonho meu: a publicação da primeira revista sobre homeschooling do país. Nosso objetivo é, mais do que informar, também auxiliar na formação das famílias praticantes ou simpatizantes da educação domiciliar em nosso país, explicando conceitos, contextualizando fatos, expandindo horizontes etc.

Para divertir a criançada, um jogo exclusivo será enviado mensalmente, ajudando também na fixação dos conteúdos apresentados no fascículo.

Como não poderia deixar de ser, um brinde surpresa e um cupom de desconto para utilizar com outros produtos da Editora Concreta serão também enviados no mexmo box. No entanto, e para melhorar ainda mais, os 200 primeiros assinantes ganham um desconto vitalício na Editora (restam ainda 84 assinaturas promocionais, de acordo com o site).

Por último, entrando no ritmo do mês de aniversário do blog (quatro anos!!!), faremos, como já é tradição, uma promoção dos nosso cursos. Assim, a partir do dia 20 deste mês até o dia 14 de maio, dia das mães, tanto o curso De volta ao lar quanto o Homeschooling 1.0 estarão com 50% de desconto no site do Instituto Isidoro de Sevilha. Nossos demais cursos, disponibilizados aqui mesmo, na aba CURSOS, permanecerão com os mesmos valores, uma vez que já estão bem baratinhos.

Nosso trabalho está crescendo e assumindo novas formas, o que explica também o decrescente número de postagens por aqui. Acompanhe-nos em nossas novas frentes, confira os conteúdos e aproveite os descontos!

Concreta In Box: www.inbox.livrariaconcreta.com.br
Instituto Isidoro de Sevilha: www.isidorodesevilha.com.br

quarta-feira, 22 de março de 2017

Dois livros sobre vida no campo

Há tempos quero recomendar dois livrinhos incríveis e complementares, que tanto meninos quanto meninas irão gostar, desde os cinco, seis anos de idade, até os dez, onze.

Um deles já recomendei em outras ocasiões, mas sem maiores explicações: trata-se do clássico norte-americano O jovem fazendeiro, de Laura Ingalls Wilder. Neste livreto, ainda mais divertido que o primeiro da série - Uma casa na floresta - Laura narra a infância do marido, Almanzo Wilder, numa época já um pouco afastada da nossa. A história desenvolve-se ao longo de um ano na vida de Almanzo, que contava, então, nove anos de idade. Escola, brincadeiras, roupas, comidas, animais, fé e trabalho, muito trabalho, retratam o dia a dia do menino.

Àquelas famílias que precisam enriquecer o imaginário infantil com bons exemplos, Almanzo Wilder e seus irmãos Royal, Eliza Jane e Alice são um prato cheio. Confiram este trecho:

O pai estava um pouco adiante, na rua, conversando com o Sr. Paddock, o fabricante de carroças. Almanzo caminhou lentamente em direção a eles. Estava amedrontado, mas tinha de ir. Quanto mais se aproximava do pai, mais medo tinha de pedir um níquel. Nunca havia pensado em semelhante coisa. Estava certo que o pai não lhe daria.
Esperou até que o pai parasse de falar e olhasse para ele.
- O que houve, filho? - perguntou o pai.
Almanzo estava assustado.
- Pai... - disse ele.
- Sim, meu filho?
- Pai - disse Almanzo -, o senhor quer me dar... quer me dar... um níquel?
Ficou ali enquanto o pai e o Sr. Paddock olhavam para ele e teve vontade de desaparecer. Finalmente o pai perguntou:
- Para quê?
Almanzo olhou para seus mocassins e murmurou:
- Frank tinha um níquel. Comprou limonada vermelha.
- Bem - disse o pai lentamente -, se Frank o convidou, está certo que você também o convide.
O pai enfiou a mão no bolso. Então parou e perguntou:
- Frank lhe ofereceu limonada?
Almanzo queria tanto ganhar o níquel que fez um aceno afirmativo. Depois estremeceu e disse:
- Não, pai.
O pai olhou-o por um longo tempo. Depois tirou a carteira, abriu-a e, lentamente, tirou um meio dólar de prata, grande e redondo. Perguntou:
- Almanzo, sabe o que é isto?
- Meio dólar - respondeu Almanzo.
- Sim. Mas você sabe o que é meio dólar?
Almanzo só sabia que era meio dólar.
- É trabalho, filho - disse o pai. - É isso que o dinheiro é; trabalho duro.
[...]
O pai perguntou:
- Sabe cultivar batatas, Almanzo?
- Sim - respondeu Almanzo.
- Diga: você tem uma semente de batata na primavera, o que faz com ela?
- Corto-a - respondeu Almanzo.
- Continue, filho.
- Primeiro gradamos... depois adubamos o campo e em seguida o aramos. Depois gradamos e marcamos o terreno. Plantamos as batatas, aramos e capinamos. Aramos e capinamos duas vezes.
- Está certo, filho. E depois?
- Depois as colhemos e guardamos na adega.
- Sim. Depois as selecionamos durante todo o inverno; jogamos fora toda as pequenas e as podres. Quando chega a primavera, carregamos a carroça de batatas e as levamos a Malone, onde as vendemos. E, se conseguimos um bom preço, filho, quanto recebemos por todo esse trabalho? Quanto recebemos por meio bushel de batatas?
- Meio dólar - disse Almanzo.
- Sim - confirmou o pai. - É isso que está neste meio dólar, Almanzo. O trabalho que foi necessário para obter meio bushel de batatas está aqui nele.
[...]
- É seu - disse o pai. - Pode comprar um leitãozinho com ele, se quiser. Pode criá-lo e ele lhe dará uma ninhada de porquinhos que valerão quatro, cinco dólares por cabeça. Ou você pode trocar esse meio dólar por limonada e bebê-la. Faça o que quiser, o dinheiro é seu.
[...]
Os meninos só acreditaram depois que ele mostrou a moeda. Então se agruparam à sua volta, esperando que ele a gastasse. Mostrou-a a todos, depois tornou a guardá-la no bolso.
- Vou dar uma volta por aí - disse ele - e comprar um bom leitãozinho.

O segundo livro que desejo recomendar é inédito, isto é, jamais falei dele em lugar algum. Trata-se de uma gratíssima surpresa presenteada já há algum tempo por minha sogra: o Dicionário por imagens da fazenda. O livrinho é a tradução de um volume de uma pequena coleção francesa, o que explica sua completude e excelente qualidade. Nele não são mencionados apenas os elementos tradicionais que compõem uma fazenda, mas diferentes tipos de fazendas são aprensentados, de várias regiões do mundo, revelando suas belezas e peculiaridades. Além disso, há páginas dedicadas às diversas produções de alimentos, como o pão, o leite e derivados. As ilustrações são excelentes, bem realistas, e os textos são claros.

Infelizmente, parece que o livrinho sumiu das prateleiras, mas outros exemplares da mesma coleção ainda podem ser encontrados, como o Dicionário por imagens do mar e o Dicionário por imagens da Bíblia, que eu não conheço pessoalmente, mas que, se forem bons como o da fazenda, valem a pena.

Enfim, quem precisar de recursos para estimular nas crianças o desenvolvimento de virtudes como a paciência, o empenho, o respeito, a perseverança, aí estão algumas sugestões.

sexta-feira, 10 de março de 2017

De Camões a Ovídio

Na última segunda-feira retomamos oficialmente os estudos. Desta vez, após dois anos trabalhando Os Lusíadas com a Chloe, resolvemos deixá-lo de lado, adotando o Metamorfoses.

E por que deixamos Camões de lado? Primeiro, porque Chloe pediu. Nada contra o texto, nada contra o estilo, nada contra o autor, apenas uma necessidade tipicamente sanguínea de variar e conhecer algo diferente. E considerando que já tínhamos vencido boa parte do texto e das dificuldades por ele apresentadas, não vimos razão para não atender o seu pedido. Segundo, porque queríamos dar um passo além, aumentando a dificuldade das atividades, o que pareceu vir a calhar com a escolha de uma nova obra.

Nestes dois anos fomos até o Canto V, enfatizando fundamentalmente os níveis mais elementares do texto, isto é, a prosódia e a compreensão textual. Trocando em miúdos, lemos muito em voz alta, procurando a melhor pronúncia das palavras bem como o respeito às rimas, explicamos oralmente, copiamos, e fizemos muitas pesquisas junto aos dicionários de língua portuguesa e de mitologia. Eventualmente, quando os versos assim permitiam, fizemos também algumas pesquisas sobre história e geografia. Enfim, nada muito inovador, moderno ou diversificado. O resultado foi um espetacular incremento no vocabulário e uma maior facilidade para compreender textos poéticos e que possuem construções frasais incomuns, diferentes das que usamos ordinariamente.

Quanto às demais materias, vimos um pouco de latim, inglês, história, geografia, ciências, matemática e artes. No entanto, nosso foco é literatura, pois sem ela, sem o domínio da língua mãe em suas formas mais elaboradas, todo o resto não só é prejudicado como, em alguns casos, torna-se inviável.

Hoje encerramos a primeira semana de aulas na companhia das Metamorfoses e estou bastante satisfeita com os resultados até aqui obtidos. Uma das dificuldades acrescidas foi a elaboração de uma paráfrase do trecho estudado no dia. Chloe rapidamente percebeu que enquanto a explicação oral permite uma certa margem de imprecisão e até de incompreensão do texto, a paráfrase não o permite, pois exige uma compreensão completa, plena daquilo que foi lido. Em outras palavras, estamos, aos poucos transitando de uma etapa onde a absorção era o foco para uma etapa em que algo daquilo que foi absorvido precisa ser processado e exposto. E estamos contentes e confiantes. :)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Dicas de planejamento de homeschooling

Muitas famílias homeschoolers já retornaram às atividades de estudos, mas há muitas que, assim como nós, por diferentes razões, espicharam um pouco mais as férias. Assim, apesar da época já um tanto adiantada, resolvi compilar aqui algumas dicas para quem quer fazer um bom planejamento de estudos para este ano mas tem encontrado alguma dificuldade ou simplesmente não tem experiência no assunto.

Antes, no entanto, de passar às dicas propriamente ditas, convém esclarecer que não abordarei aqui a questão dos materiais (qual é o melhor, qual é o pior, onde comprar, se existe para download, etc.). Nas dicas, meu foco será a família, as pessoas envolvidas no homeschool. Por desimportante que possa parecer, se a família não está funcionando bem, há grandes chances de o seu homeschool fracassar.

Todavia, quem precisar de ajuda na seleção/avaliação dos materiais, ou precisar de algum auxílio mais pontual, sugiro duas possibilidades: ou o nosso curso Homeschooling 1.0, onde oferecemos todo o passo a passo a quem quer começar, ou uma bate-papo pessoal, com hora marcada (e por um precinho camarada) por meio do email encontrandoalegria@gmail.com.

Mas vamos ao que interessa:

1. Em primeiríssimo lugar, respire fundo e pegue leve: consigo mesma, depois, com as crianças. Assim como esta é um novidade para elas, o é também para você. Ou seja, estão todos aprendendo, e ter paciência e sensibilidade é fundamental para um começo tranquilo.

2. Foque em ter bons recursos: sem eles, a mais excepcional das aulas vale muito pouco. Por outro lado, até mesmo sem uma "aula" propriamente dita, bons recursos podem ensinar muito àqueles que queiram aprender com eles.

3. Considere as variáveis familiares: você acabou de ganhar bebê?; está no oitavo mês de gestação?; trabalha meio turno?; quem vai ministrar as aulas é a avó?; tem 3 filhos com mais de 5 anos de diferença entre eles? Todas essas questões (e muitas outras!) definem as especificidades de cada família e precisam ser levadas em conta na hora da estruturação das aulas e do estabelecimento da rotina de estudos. Em outras palavras, a sua família é a sua família, diferente daquelas outras famílias homeschoolers que você conhece.

4. Considere as variáveis individuais: seu filho é pequeno?; agitado?; sua filha sofreu bullying por anos na escola?; o outro morre de preguiça?; ela tem medo de errar?; a outra só quer competir? Embora os assuntos possam ser idênticos, os indivíduos não o são e é preciso que você leve em conta as peculiaridades da personalidade de cada um para perceber como cada um aprende e poder ajudá-lo a ajudar-se.

5. Esqueça a escola: datas, relatórios, provas, trabalhos, horários... Es-que-ça. Não transforme sua sala de estar em uma nova sala de aula porque neste caso restarão poucos locais para onde os seus filhos possam fugir em busca de refúgio. Alguns controles são úteis, mas não precisam ser feitos mantendo aquele estilo burocrático e impessoal do colégio.
6. Esteja aberta: observe como as coisas evoluem. Muitas vezes fixamos metas, e é importante tê-las, mas muitas vezes é preciso corrigir a rota. E não há problema algum nisso, afinal, seu objetivo é que os seus filhos cresçam e aprendam, no ritmo que for, pelo tempo que levar, do jeito certo, a coisa certa.

7. Avalie com serenidade: não se afobe, não se assute. Deixe transcorrer algum tempo até que possa avaliar com mais tranquilidade o caminho percorrido. Se você se apressar e ficar mudando tudo a cada passo, pouco avançará. Assim como se você não parar para avaliar o percurso de tempos em tempos, talvez acabe chegando ao lugar errado.

8. Ajuste: é com a prática que percebemos o que funciona e o que não funciona, e não há como praticar sem colocar a mão na massa. Assim, depois de avaliar, não tenha medo de rever alguns pontos, ou mesmo todos eles. Caso haja dúvidas, volte ao ponto 1 ou entre em contato conosco. ;)

sábado, 21 de janeiro de 2017

Filhos pequenos e vida espiritual

Mais uma vez aproveito posts do facebook para dar uma agitada por aqui.

Compartilho aqui algumas sugestões que fiz a uma mãe de dois bebês que me pediu ajuda, pois podem ser úteis a mais alguém. As crianças da mãe em questão têm pouca diferença de idade e o mais velho tem exigido muita atenção.
"1. Em primeiríssimo lugar, priorize as crianças: a casa não é o mais importante no momento, ela poderá ser limpa em outras ocasiões, já as crianças precisam que você agora, neste instante;
2. Quando o mais novo estiver dormindo, dê atenção ao mais velho: dê colo, beije-o, converse, brinque;
3. Quando for oportuno, talvez depois do almoço, durmam os três: você e os bebês. Sem descanso, seu leite pode diminuir e você pode acabar ficando debilitada física e emocionalmente, o que só pioraria tudo.
4. Não se importe com a opinião dos outros. Quem se preocupa de verdade tenta ajudar em lugar de ficar criticando.
5. Às vezes o mais velho precisará ficar chorando um pouquinho. Não se sinta mal. Você é uma única pessoa e simplesmente não tem como fazer tudo ao mesmo tempo com dois bebês no colo. Mas lembre-se de priorizar as crianças.
6. Tente deixar algumas refeições prontas no final de semana para não precisar cozinhar todos os dias. Você precisa se alimentar bem para ter leite e cuidar dos dois.
7. Lembre-se: por mais difícil que seja, esse tempo passa depressa e é muito importante para a sua santificação, por isso tente não se desesperar, não murmurar, nem sentir pena de si mesma. Deus sabe o que você é capaz de suportar e está no controle de tudo."
Abordar a questão de levar as crianças à Igreja é sempre uma tarefa delicada. Há quem se ofenda porque crianças fazem barulho demais. Há quem se ofenda com quem se ofende por causa disso. Mas sobre todas as justificativas, melindres e não-me-toques, uma coisa é certa: Deus não nos dá filhos para que nos afastemos Dele, para acabar com nossa vida espiritual. Pelo contrário! Agora, ainda mais do que antes, somos chamadas a ser exemplo e a viver em atos aquilo que louvamos. Assim, filho pequeno não é nem pode ser um impedimento à comunhão. Filho barulhento e sem respeito também não. Ensine-o a se aquietar, a ser reverente, a observar em silêncio. "Ah, mas é tão fácil falar!" Se a questão é facilidade, a melhor saída para todos os problemas é morrer logo de uma vez, porque a vida é trabalho, é dificuldade, e o Paraíso só conquista quem persevera. Ou seja, a tarefa mais dificil é a que jamais é enfrentada, mas se você se esforçar pelo seu filho, com a graça de Deus, irá conseguir. No início, é normal que na criança faça birra, desobedeça, ou simplesmente não tenha noção de como se comportar, e é exatamente aí que entram os limites e a imitação. Aqui em casa, por exemplo, a coisa funcionou assim: Nathaniel, que é o mais agitado, passou boa parte de sua vidinha no colo do pai durante a Santa Missa; agora, que já é maiorzinho, sabe, por tantas vezes nos ter visto, como proceder, ao ponto de pedir para ir à Igreja. Repito: filhos não são nem podem ser um obstáculo à vivência da fé, nem na esfera pública, nem na esfera privada. Eles são os primeiros prejudicados quando a mãe enfraquece espiritualmente, assim como são os primeiros beneficiados quando ela se fortalece. Deus nos chama a si em todas as situações da nossa vida: na tranquila vida solteira, na insegura vida de recém-casada, na inexperiente vida de mãe de primeira viagem, na atribulada vida de mãe de muitos filhos. Ele nos chama porque nos ama e porque sabe que precisamos, mais do que todas as coisas, Dele mesmo.